Após a aventura na Islândia, estava na hora de Blk Mrkt (Bryan e Clément) partirem, em busca de novos horizontes. O desejo de procurar o oposto da Islândia – onde frio, vento e chuva são parte do quotidiano – estava presente.

Para onde partir?

Além de ser um destino com um clima agradável, Marrocos tem uma reputação sensacional no mundo aventura; as estradas geralmente estão em boas condições e são notavelmente bem faladas pelas suas características para o Rally Raid. Por último, e não menos importante, seria uma verdadeira oportunidade de serem desafiados, num tipo de terreno diferente e contactar com uma cultura, desconhecida para eles.

“Estamos em meados de Abril, partida de Paris em direcção a Barcelona para mil quilómetros de estrada, tudo para percorrer em 10 horas no máximo! Já estamos sob pressão e o Ferry que nos levará a Tânger, em Marrocos, não irá esperar por nós. Acabaríamos por ser os últimos a atravessar os portões antes do embarque; foi por pouco… um problema a menos! ” Bryan

 

TÂNGER, MARROCOS

Após 28 horas de ferry desde Barcelona e tentando dormir o máximo possível (sem grande sucesso) chegam finalmente a Tânger Med, em Marrocos.

Passa a uma hora da manhã e entram facilmente no país, depois de concluir todas as formalidades administrativas dentro do próprio Ferry.

Não há GPS para esta viagem: desta feita, irão navegar principalmente por mapa.

“Estamos a tentar encontrar o caminho certo há horas, em vão. Encontramo-nos em frente a um posto de gasolina, decidimos reabastecer e apanhar a estrada mais próxima de modo a reposicionarmo-nos da melhor maneira, para começar a jornada de amanhã. Acabamos por adormecer no chão de uma área de serviço. Está longe de ser o lugar mais confortável do mundo e devo admitir que não estou na minha melhor forma. Entre a insolação que apanhei no ferry e as dificuldades em nos orientarmos desde a nossa chegada a solo marroquino, preciso de parar para respirar e descansar, para poder atacar esta aventura nas melhores condições.”

 

Três horas depois, o sol nasce e eles acordam com o cantar dos pássaros. Bryan deixa Clément dormir mais um pouco. Ele dá os 100 passos, para se aquecer um pouco.

Direcção a Tétouan – um pequeno café ao ar livre (seguido de, você sabem) e partem então para Chefchaouen, o primeiro grande destino desta viagem. É uma cidade conhecida em Marrocos pelas suas típicas casas azuis. Esta paragem dar-lhes-ia a hipótese de finalmente comerem num restaurante muito agradável e com uma bela vista sob toda a cidade.

O sol está a brilhar; já haviam perdido o hábito. O resto do dia desenrolar-se-ia sem problemas, entre alguns controlos de polícia e a chegada das primeiras trilhas off-road desta viagem. Uma coisa que os impressionou foi a vegetação ao seu redor. Não corresponde à imagem que a maioria das pessoas tem das paisagens marroquinas. É uma agradável surpresa, rolar nestes bonitos vales.

Chegam à cidade de Fez por volta das 19h. Apesar dos milhares de pessoas presentes na cidade naquele dia e do número incontável de soldados que barricam a cidade devido à presença do rei Mohamed VI, eles conseguem encontrar um hotel para passar a noite.

Eles estão na estrada há vários dias e ainda não tiveram a oportunidade de tomar um banho de verdade. Uma noite, numa cama de verdade seria realmente apreciada. Tudo o que eles precisam para recarregar as baterias: electricamente, mas também física e mentalmente!

 

PARQUE NACIONAL AGUELMAM AZIGZA

Depois de uma excelente noite de descanso, é hora de começar um novo dia.

“Bem, é meio-dia e devo admitir que colámos às camas ultra confortáveis do hotel! Aproveitamos a ocasião para lavar as motos, atestar os tanques e partir para o parque Aguelmam Azigza, que será a primeira descoberta desta viagem, para mim. Os vales que se atravessam têm uma beleza deslumbrante, entre estradas pavimentadas e alguns trilhos em construção… Tudo é perfeito, perfeito demais: parece que tudo foi plantado ao milímetro pelo homem…a natureza é realmente incrível! ”

Eles cruzam-se com vários pastores e, em cada pequena aldeia, as crianças correm atrás deles, sorrindo. Algumas batem palmas quando passam. É uma troca real, de bom humor e simpatia que lhes é transmitida sem que sejam necessárias palavras; momentos simples, mas de grande significado, quando se viaja.

O sol está pôr-se e a primeira VERDADEIRA trilha off-road da viagem finalmente está sob as suas rodas! Apesar do cansaço que eles já começam a sentir, esta é a primeira oportunidade para Bryan e Balou se divertirem: grande gás, nas laterais dos vales…um momento de pura felicidade em cima de uma moto!

“Esta trilha parece interminável. Paro e proponho ao Clément que acampemos aqui, esta noite: no alto, não muito longe do rio. O local é tão bonito que ele não poderia recusar.”

Eles estacionam as motos nas proximidades e preparam o acampamento.

A noite cai rapidamente nas montanhas. Montam as tendas e colhem um pouco de madeira para iniciar uma fogueira. A temperatura caiu vertiginosamente; é hora de se enfiarem nos sacos-cama e fecharem os olhos.

 

JAFAR CIRCUS

Um novo dia começa: levantam-se, reacendem o fogo do dia anterior enquanto se preparam para sair calmamente.

Refrescam-se um pouco pelo rio e voltam à estrada do dia anterior.

A direção escolhida foi JAFAR CIRCUS, uma zona apenas acessível por veículos 4X4, buggies ou motas. As Africa Twins conseguirão cruzar a zona facilmente…

Um homem local ajudá-los-ia a encontrar a entrada certa para a pista e, finalmente colocá-los na direcção desejada.

Mudança radical de ambiente: os trilhos de terra dão lugar a uma espécie de areia rochosa e empoeirada. Isso requer mais vigilância, porque a aderência é diferente daquela a que se vêm “habituando”. Uma manobra delicada viria a fazer com que perdessem várias horas:

Clément, querendo fazer uma inversão de marcha, viu-se no fundo de uma ribanceira com a sua Africa Twin. Felizmente, dois motociclistas espanhóis passariam entretanto e ajudá-los-iam a colocar a moto de volta na trilha. Durante esse momento, Clément viria a escorregar, batendo com o lábio no pára-brisa da Africa Twin. Resultado: um lábio cortado e muito sangue à mistura.

“Sem ter tempo de olhar para o seu ferimento, subi na moto dele para tirá-la do local onde havia caído. Uma vez resolvido o problema, limpámos a ferida de Balou e retomámos a estrada, num ritmo mais baixo. O objectivo era apenas sair dali, sãos e salvos, e chegar à cidade antes de anoitecer. Também precisávamos de encontrar uma farmácia para desinfectar melhor a ferida, mas acabaríamos num restaurante, a comer um bom frango grelhado com batatas fritas.”

 

A pausa fez bem aos dois. Apesar do clima ameaçador e o pôr-do-sol estar próximo, eles decidem fazer o máximo de quilómetros em direção a Merzouga, mesmo que as hipóteses de lá chegar antes do escurecer, sejam diminutas.

A noite caiu e já não conseguem ver nada. Encontram-se em Erfoud, não muito longe de Merzouga. O objectivo não foi alcançado, mas não importa.

Nesta viagem, para eles, o conceito de tempo claramente não faz parte da experiência.

Não têm pressa, embora seja sempre bom manter uma certa orientação durante toda a viagem. A maioria das pessoas não viaja assim, mas esta é a fórmula que eles encontram para se desafiarem a si próprios.

Eles param na beira da estrada, para procurar um lugar para dormir, na escuridão completa. Duas figuras aproximam-se no escuro:

“Ah ah, eu disse-te, são eles!” Incrível; dois subscritores do seu canal YouTube conseguem reconhecê-los, mesmo na completa escuridão. Eles encontram-se em Marrocos para participar do “Maroc Desert Challenge”, uma espécie de Rally amador. Entretanto, todos precisam de encontrar rapidamente um lugar abrigado do vento e da tempestade de areia que se aproxima. Terminariam aquela noite juntos no mesmo restaurante e hotel antes de irem para a cama, bem cedo. Voltariam à estrada na manhã seguinte, bem cedo, para uma nova etapa da viagem.

 

AS DUNAS DE MERZOUGA

O sol parece estar de volta, apesar das fortes rajadas de vento que ainda se fazem sentir. Todos os turistas do dia anterior deixaram o hotel; a oportunidade perfeita para mergulharem na piscina, antes de carregar as motos e partir novamente.

Antes partir para Merzouga, eles precisam de encontrar uma garagem para trocar o pneu traseiro e as pastilhas dos travões da moto de Clément. Com apenas 200 dirhams (20 euros) e uma hora depois, a moto está pronta!

O deserto aproxima-se rapidamente, e eles podem vê-lo e senti-lo. Não há mais vegetação à vista; ao invés, avistam-se enormes extensões de areia, com as primeiras dunas no horizonte. Têm apenas 60 quilómetros pela frente, mas que não seriam nada fáceis. A tempestade de areia do dia anterior intensificou-se, tanto que eles podem observar tornados a pequena distância! É-lhes extremamente difícil manter as motos direitas. A areia entra-lhes pelas narinas e eles comem-na, literalmente. Como bónus, um desagradável sabor metálico instala-se nas suas gargantas. Essas condições obrigam-nos a fazer uma nova paragem e aguardar que a tempestade passe.

Poucas horas depois, encontram-se instalados num Riad, mesmo junto às dunas de Merzouga. Descarregam o material das motos e decidem atacar as dunas! Apesar do peso das suas motos e da sua falta de experiência nesse tipo de terreno, eles estão ansiosos por perceber aquilo que são capazes nestas condições.

“Para uma primeira vez, estou francamente surpreendido! Eu pensei que as Africa Twin iriam lutar para avançar sobre estes grandes montes de areia… As primeiras dunas estão à minha frente, e acelero para ter a certeza de que tenho a embalagem suficiente para subir a duna. Digo a mim mesmo que não vou conseguir…no entanto…a moto sobe sem problemas! Tanto, que ao chegar ao topo, sou projectado directamente para a descida! Eu, que me imaginava a cair logo na primeira duna, já estou a vários quilómetros de distância! ”
“Faço uma pausa para verificar onde anda o Clément e aproveito a oportunidade para tirar algumas fotos deste local absolutamente incrível, antes de dar a volta e regressar ao riad. Que experiência! Quero realmente voltar aqui, e se possível com uma moto mais leve e mais tempo para dedicar a estas dunas. ”

O vento aumenta de novo e ao longe, uma nova “parede de areia” vem na sua direcção. Está na hora de encontrarem um abrigo.

 

O DESERTO DE SAHARA

Nasce um novo dia em Merzouga e, infelizmente, a tempestade ainda está presente. Eles torcem para que não lhes cause muitos problemas na travessia da parte do deserto que planeiam percorrer. Objectivo do dia: chegar aos arredores de Zagora, através de uma trilha do antigo e mítico “Paris-Dakar”.

A cereja no topo do bolo: o gerente do Riad deu-lhes conselhos e dicas para evitarem algumas “armadilhas” durante a sua jornada. Ele até se ofereceu para ir buscá-los no seu 4×4, no caso de surgir algum problema. Se isto não é reconfortante…

Apesar destas indicações, eles vão parando, para irem verificando se estão nos trilhos certos. Quando se está no deserto, é muito fácil perder-se.

Eles seguem numa trilha com bastante pedra, um verdadeiro mimo! Viajam de aldeia em aldeia, conversam com a população e prestam muita atenção ao solo.

De qualquer forma, como dizem em Marrocos: “está tudo bem, meu amigo!”

“Então, bora continuar!” – pensam eles. E foi assim, que iriam falhar as indicações dadas.

Vêem-se rodeados de uma montanha…depois duas, depois três…e no topo, dunas e mais dunas! Tantas, que não conseguem perceber qual o caminho a seguir. Eles deslizam, alternando entre 2ª e 3ª mudança, em aceleração máxima, apoiando-se nos pousa-pés das motos e colocando o peso na roda traseira…a mais pequena incursão, começa já a torna-se um problema! E sabem que mais? Estão mais de 50 ° C! E a juntar à equação, as suas Africa Twin carregadíssimas, a pesarem mais de 250 kg…é realmente “sensacional”. Estão aterrados, em pleno sol, e os seus recursos começam a escassear.

“Quando se olha para tudo o que passámos na Islândia, pensa-se que é difícil, mas a mesma situação, sob um sol escaldante? É outra coisa! Pela primeira vez, as dúvidas instalam-se verdadeiramente, na minha cabeça. Estamos mesmo metidos num grande sarilho”.

Chegam três 4×4. “Vocês estão bem? Vocês sabem que esta é a pior parte da região? “Também estávamos a pensar isso!” Eles encontram-se no leito seco de um rio, o qual deveriam ter contornado. Mas, infelizmente, eles estão bem no meio dele… Impossível dar meia-volta agora.

Pela frente, espera-lhes um oceano de areia, dunas, fech fech tudo isto, sob um sol escaldante. Eles deveriam ter evitado aquelas dunas, mas tarde demais…o pessoal dos 4 × 4 tiram as correias e puxam as motos para fora daquela situação ruim.

Eles aproveitam o momento para restabelecer as forças e obter o máximo de informação possível para o resto da travessia, porque os 4 × 4 vêm precisamente do local onde eles se dirigem. Parece que terão que enfrentar este tipo de terreno durante mais um pouco, mas uma trilha está próxima. Levariam mais uma hora até verem finalmente um Riad à sua direita, no meio do deserto.

Eles decidem parar aí, fazer uma pausa e tomar uma bebida.

Ao passarem pela porta, ficam completamente pasmados.

Este refúgio viria a transformar uma pequena pausa numa decisão de “está feito por hoje”. Acabariam por comer e passar lá a noite, aproveitando a ocasião para também fazer uma manutenção rápida às motos: filtros-de-ar, rolamentos, limpeza geral da moto…

O cozinheiro do Riad tinha que ir à cidade com um apicultor, então oferece-se para guiá-los. Aparentemente, eles poderiam reabastecer as motos lá. Situação perfeita, até porque já começam a ficar sem combustível.

Ele segue na frente, no seu 4×4, abrindo a trilha para eles. Enchem o depósito em Tafraoute, antes de tomar direção a Zagora, ainda em trilha.

“Bem, posso dizer-vos que esta travessia foi…rápida! Sentado sobre a parte traseira da Africa Twin, a moto firmemente presa entre as pernas, no deserto e com um enorme sorriso no rosto! A dose certa de adrenalina!”

De repente, Clément sai literalmente disparado da moto, ao atingir um banco de areia; um enorme “high-side”; mais o susto do que outra coisa!

Depois de atravessarem um gigante campo de melancias e serem guiados por uma criança, eles encontram, provavelmente uma das melhores trilhas desta viagem! É difícil expressá-la em palavras. O melhor é assistirem ao episódio 06 das suas aventuras em Marrocos (lista de reprodução disponível no final deste artigo ou no canal do youtube: BLKMRKT).

Comem algo em Zagora, conversam sobre um chá, com alguns moradores de uma garagem e depois seguem para o Alto Atlas, por onde andarão nos próximos dias.

Tomam a última trilha do dia, sob um céu escuro e um pouco de chuva à mistura.

Sentem que estão a sair do deserto: de repente, nova mudança repentina de atmosfera e uma queda considerável de temperatura, que se torna bastante agradável!

A noite começa a cair e a chuva intensifica-se. Decidem pernoitar em N’koub, na esperança que a chuva diminua na manhã seguinte.

 

GARGANTAS DE DADÈS

Depois de passar algum tempo no jardim do Riad, lançam-se de novo à estrada, por volta das 13:30. Sim, é tarde, eles sabem disso, mas estava-se tão bem naquele jardim, a conversar, que decidiram aproveitar o momento.

Objectivo do dia: chegar às Gargantas de Dadès e mais longe, se possível, dependendo da hora e do clima.

Eles teriam alguns problemas para encontrar o trilho que viram no Riad. Um carro pára e o homem mostra-lhes onde entrar na montanha, perfeito! Vamos lá! As condições da pista? Uma verdadeira especial de enduro: degraus em pedra, pedras enormes! Uma verdadeira “pedreira”! No entanto, é impressionante uma vez mais, a desenvoltura das Africa Twin nestes meios…

Uma vez percorrida essa parte, as coisas acalmam e o alcatrão reaparece. Eles entram nas passagens das montanhas, que ultrapassam os 2000m de altitude, com uma mistura de terra e alcatrão. A vista, incrível uma vez mais!

O frio está presente no Alto Atlas. Passa-se de quase 50 °C a menos de 10 ° num fechar de olhos! Tentam-se acostumar e tirar o máximo proveito durante a noite. A estrada é agradável, fácil de acompanhar, eles cruzam muitas pequenas aldeias com uma atmosfera bastante mais pesada e hostil do que sentiram até ao momento. Sentem que as condições de vida aqui são muito mais severas.

19:30 a neve começa a cair. Eles decidem jogar pelo seguro e dormir por perto. Um homem idoso e gentil, um berbere, recebe-os em sua casa e prepara uma tagine, chá e um monte de cobertores para passarem a noite. Vão dormir cedo esta noite, bem precisam.

 

TIZI N’OUANO

Eles acordam perto de um desfiladeiro, com um frio de congelar. Tanto que a neve do dia anterior ainda se mantém nas passagens da montanha.

Ovos, azeitonas, café, torradas para o pequeno-almoço, e lá vão eles! Primeiro passo: chegar a Agoudal, com nada menos que 40 quilómetros de estrada, subindo acima de 3200m do nível do mar! A estrada é super escorregadia; fizeram bem em parar no início da subida, no dia anterior. Teria sido muito imprudente terem continuado no dia anterior.

“A vista é…incrível. Sim, eu sei que tendo a ficar sem adjectivos para descrever o que tenho à minha frente. Claramente tem-se a sensação de estar no topo do mundo. ”

Começam a ficar sem combustível e estão no caminho errado. Acabariam por percebe-lo, 30 quilómetros depois. Trezentos quilómetros com um tanque cheio, com quase metade gasto em estrada .. Nada mal, né?!

O atraso acumula-se; eles precisam de ganhar tempo. Mas o objectivo que estabelecem não é razoável: 378 km pela frente ainda, quando já são 16:00; será praticamente impossível de alcançar. No entanto, decidem dar o máximo, apesar do frio de rachar.

Então, de repente, ao virar de uma curva, o sol e a vegetação literalmente explodem nos seus rostos! 👀🌴, Amazing, incrível! É como se um novo dia tivesse começado. A motivação reaparece! Eles até se vêm surpreendidos, ao desfrutar de uma pequena estrada de montanha que é um absoluto prazer de rolar!

Eles marcam uma paragem, para verificar o mapa; do nada, umas mulheres aparecem com chá e bolos para eles! Eles não entendem o que se passa! Descobririam meses mais tarde, que se trata de um antigo costume local, aquando a morte de um ente querido. Apesar da tristeza do evento, seria mais uma pequena surpresa de Marrocos, tão agradável quanto emocionante.

Eles terminariam o dia, atravessando um lago e lutando para encontrar um lugar para dormir. Mais 50 km, e terminariam numa pousada junto da Catedral Mastfrane. Foi graças a um novo encontro imediato, na beira da estrada, com um morador local que puderam descobrir esse excelente local para passar a noite. Mais uma vez, um homem oferece-lhes de comer e dormida em sua casa, mas infelizmente, não tinha espaço suficiente para os dois.

 

MONT M’GOUN

Despertar ao nível da “Catedral”, no meio da floresta, à beira de um riacho. Partem por uma estrada bastante inclinada, fácil e traiçoeira ao mesmo tempo. Digamos que é melhor não sair dela. Depois de uma grande subida, alcançam finalmente os picos com neve, e a mais majestosa das vistas. O único ponto negativo? A temperatura abaixo de 0 ° C!

Um verdadeiro choque térmico… agora, têm a impressão de viajar em pleno inverno!

Descem o vale e atravessam muitas aldeias. Mil vestígios de antigas civilizações, como se tivessem parado no tempo. As pessoas observam-nos ao passar de moto, alguns com um ar suspeito.

Durante a travessia de uma dessas aldeias, Bryan cai num buraco na beira da estrada e bate com as costelas e a caixa torácica na moto. Consegue levantar-se, felizmente, graças às duas barras de ferro. Clément não o viu. Vários moradores aproximam-se e tocam nele e nos seus pertences. Ele recupera o fôlego, sem realmente entender o que está acontecer. Ele não gosta da situação, então tenta montar na moto e sair dali imediatamente.

Ele não se sente muito bem e só quer encontrar um lugar para descansar e parar pelo dia, mas nada no horizonte. A sua cabeça está a girar. Isso mistura-se com os vapores de gasolina emitidos pela moto de Clément. Começa a sentir-se cada pior.

Bryan decide passar para a frente de Clément, focar na paisagem e respirar. Os quilómetros acumulam-se, mas ele não tem a impressão de estar a avançar…digamos que sofreu bastante naquele dia. Faz muito tempo que algo do género não lhe acontecia.

A estrada vai ficando cada vez mais limpa; as bonitas curvas, combinam umas com as outras. Ele acelera o ritmo, isso permite-lhe pensar um pouco menos e manter o foco no momento presente, sem pensar na dor ou nos problemas que às vezes pesam sobre ele.

Mesmo que tenham que estar alerta, esta estrada é um puro prazer de condução!

À distância, ovelhas estão a bloquear a estrada. Ele diminui a velocidade para que o pastor tenha o tempo para libertar a estrada. A moto pára e Bryan cai no chão.

É realmente hora de parar por hoje. O céu está muito nublado, e fizeram apenas metade do caminho. Mas devido à chuva e à forma de Bryan, decidem dormir em Demnate naquela noite.

 

ALTO ATLAS: DE VOLTA AO SUL DE MARROCOS

Demnate, manhã seguinte; Bryan já se sente melhor! Ele só precisava de uma boa noite de sono.

Partida às 13:30, sim, sabemos que é tarde. Mas eles estavam mesmo a precisar dessa pausa.

Siga para Ouarzazate: eles atacam uma estrada / trilha de 140 km através da montanha.

Um leve acidente entre as suas motos, fariam Clément e Bryan chorar de tanto rir! Está filmado! (Episódio 10 das suas aventuras em Marrocos)

Centenas de curvas e um pouco de mecânica depois chegam ao lado de Ouarzazate!

Então eles encontram a estrada em direção a Marrakech, onde a vegetação ressurge.

Eles estão a tentar entrar na medina, mas foi uma má ideia. As motos estão quentes, tão quentes que a Africa Twin de Clément começa a falhar; tentam que ela pegue ao empurrão Regulador? Bateria? Terão que o descobrir rapidamente porque em menos de dois dias, eles têm o Ferry para apanhar em Tânger Med, e depois, ainda mais 1.800 quilómetros de estrada, de Algesiras até Paris, nas motos. Falando em Tânger, começam a equacionar ir directamente para lá. O plano original contempla ainda mais 600 km, mas os problemas na moto de Clément devem ser levados em conta. Funciona, mas por quanto tempo…na dúvida, decidem atalhar e ganhar tempo, caso precisem de lidar com algum problema. Viajam durante boa parte da noite, até adormecerem no chão de uma área de serviço.

Chegariam a Tânger Med por volta do meio-dia, num bom local para concluir esta aventura em Marrocos, com algo que ainda não haviam visto desde a sua chegada: o mar!

Marrocos é um destino absolutamente incrível, do ponto de vista de paisagens, estradas ou trilhas! As regiões são muito diversas, pode-se passar de uma área verde para uma área sem qualquer vegetação em pouco tempo, com variações de temperatura bastante extremas por vezes.

Esta foi a primeira vez que colocaram os pés em África e, mesmo que seja apenas uma pequena amostra, permitiu-lhes perceber a diferença entre o que normalmente nos é dito na Europa, e a realidade das coisas no local.

Raramente tiveram a oportunidade de conhecer pessoas tão… gentis, sinceras, e com a intenção real de ajudá-los sem esperar nada em troca, sem mencionar a gratidão e a autenticidade dos seus sorrisos. E isto tudo, apesar da miséria observável em algumas aldeias. Conhecemos muitas pessoas, com histórias tão tocantes quanto as outras.

Marrocos é um destino para quem deseja experienciar uma autêntica e, acima de tudo, humana, aventura. Aqui, sem a pressão de horas, do tempo, a troca é real. Onde o dinheiro é apenas dinheiro, e não, poder.

“Acho que há claramente uma falta de equilíbrio na nossa vida quotidiana, tanto que nos primeiros dias em Marrocos tudo nos parecia suspeito, bizarro… mas acabamos por perceber que aqui, em Marrocos, é justamente o contrário: a intriga, o desconhecido – no bom sentido do termo – geram uma conversa, uma troca e acabam por criar um vínculo, uma amizade, uma memória e sorrisos… a este país, a esta população, por nos receber desta maneira e mostrar-nos o quanto temos a aprender com eles, pela sua simplicidade e bondade.”
Choukran

 

Assista à série completa “Aventures au Maroc” composta por 11 episódios (!) e perca-se nesta incrível aventura!

Créditos de texto, fotos e vídeo: Black Market, Motorcycle Adventures Film Maker

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