Agarrar a oportunidade!

Tudo começa por uma ideia…e a ideia começou por fazerem o ACT da Grécia.
É um destino quase exótico, mas ao mesmo tempo, ao seu alcance.
Após uma análise mais profunda, da distância, do custo e o esforço para lá chegarem, percebem que esta viagem merece muito mais, do que um mero percurso de 5 dias…

 

A PREPARAÇÃO

O “ponto de partida” definido…só falta saberem como chegar. Por terra, são cerca de 3,700km da casa de Tito da Costa – aka “Rad Raven” – até Patras, a cidade portuária, onde o ACT tem início…isto utilizando auto-estradas…mas a ideia, é ser uma viagem fora-de-estrada.

Fazer mais de 7.000km de ida e volta, para cumprir um percurso de 1.000km, faz cada vez menos sentido…até porque nenhum pneu de off road dá para isso, chegando no estado que for (se conseguir chegar!) depois de horas, e horas, e horas, de auto-estradas a fio.

Não demora muito tempo até que percebam que têm que enviar as motos de transporte, para lá. Mas até isso, está a provar ser complicado.

Começam então a arquitectar um plano: um loop que comece e acabe no local onde as motas lhes seriam entregues.

Inicialmente, Roma parece ser a solução, como o destino menos longínquo para o envio as motos. Colocá-los-ia a 500km de Bari, onde depois apanhariam um Ferry, para Patras. Parece perfeito, até que são informados que não enviam motos para Roma, por causa da alta probabilidade de estas serem roubadas…

Sugerem-lhes então, Milão.

 

A PARTIDA

Nada corre bem no início…3 dias antes, o voo de Tito é cancelado…a 2 dias da partida, a sua reserva de hotel, também é cancelada…e na véspera, a mota de James avaria, em Inglaterra…

O parceiro do Rad Raven nesta viagem é o James Carter, mais conhecido como Mr. “Unstoppable” cuja a alcunha irão perceber o porquê, mais à frente.

James havia decidido fazer uma viagem mais longa, tendo já partido para Inglaterra, umas semanas antes e levado a sua mota consigo, num atrelado, aproveitando para visitar familiares e participar num evento de orientação, conhecido por Taffy Dakar no país de Gales.

Como já referimos, a mota dele avaria-se na véspera de arrancarem…o Rad Raven, de Portugal e ele do Reino Unido.

Depois de 3 frenéticas horas entre telefonemas, encontram a solução.

O James iria apanhar uma moto alugada, no sul de França e iria ter com o Rad Raven a Milão, onde apanhariam a moto dele.

 

Apesar destas alterações radicais, tudo parecia reorganizar-se e poderiam prosseguir com os seus planos.

Já montados nas motos, quer dizer, o Rad Raven na sua Honda CRF Rally 250 e o James numa BMW F700, com pneus de estrada… alugada…apanham a auto-estrada com destino a Ancona, onde os espera o Ferry para Patras.

Os cálculos batem certo e 5 horas depois, já quando o céu se preparava para um belo pôr-do-sol, chegam mesmo em cima do tempo do embarque, rumo à Grécia.

Com um camarote reservado e uma viagem de Ferry de 36 horas, teriam tempo para recarregar baterias e chegar ao verdadeiro início da sua aventura, prontos, para o-que-der e vier!

A chegada a Patras dar-se-ia no dia seguinte, a meio da tarde. Entusiasmados e curiosos, partem em busca de um quarto e são bafejados pela sorte, pois mesmo sem reserva ficam instalados num hotel, mesmo em cima do Mar do Adriático.

Jantam e vão dormir logo de seguida – mal podem esperar pelo seu primeiro dia de aventura!

 

ACT GRÉCIA

O primeiro objectivo da viagem era cumprir o percurso do ACT da Grécia, que vai de Nafpaktos ao desfiladeiro de Viko – sensivelmente 45% fora de estrada – somando cerca de 900km.

 

ACT GRÉCIA – DIA 1

O primeiro dia desperta com chuva…já não basta a neve que haviam visto nos picos à sua chegada e os avisos de que o primeiro passo de montanha do trajecto estaria intransponível, por causa dessa mesma dita neve.

Mas não era uma chuvinha que os ia demover! Arrancam!

E logo no início, um equívoco da parte deles iria acabar por proporcionar-lhes um dia inesquecível!

Nunca chegaram bem a perceber, nem como, nem porquê, mas tanto o Rad Raven como o James haviam “colado” o track do primeiro dia, com metade do segundo.

“Quando arrancámos, à procura do início do track, fomos dar a um sinal proibido…pensámos que estávamos a seguir no sentido inverso e afinal, isso fez com que iniciássemos o percurso, ao contrário…mal sabíamos nós, que tínhamos acabado de tomar a melhor opção possível.

Rolámos junto costa durante uma meia hora e não tardou para começarmos a subir uma interminável montanha, com paisagens fabulosas. A chuva foi aliviando, mas de vez quando em quando lá regressava. Nada que não fosse suportável e ia dando boa tracção ao piso, mas obrigava-nos a manter vestido, aquele incómodo impermeável. Passámos então pelas colinas verdes e roliças, que penso que ninguém esquece, depois de ver o vídeo oficial do ACT da Grécia. É sem dúvida uma zona especial, onde mal se consegue ver o trilho que se tem que seguir, o que se traduz numa sensação de plena liberdade…quase como se estivéssemos a voar, por cima daquelas montanhas!”

Já passa da hora do almoço quando chegam à vila de Kalavryta, onde se deliciam com um hambúrguer e uma bela Sandwich, num simpático bar. Pouco depois, voltam à marcha, subindo agora para outra cordilheira. É aí que enfrentam condições mais exigentes e onde o nosso amigo James “Unstoppable” Carter ultrapassa as circunstâncias do piso, impróprio para consumo, com…pneus de estrada!

 

Chegam então a uma parte do percurso que está completamente obstruída, com pedregulhos que haviam desabado sobre o caminho.

Sem reflectir sobre o assunto, iniciam as tentativas de atravessar este jardim de pedras, com o Rad Raven em cima da mota e o James a assisti-lo.

Depois de um esforço significativo, conseguem chegar ao outro lado; isto com uma CRF 250 Rally – quando começam a pensar, o desafio que será fazer o mesmo, mas agora com uma moto com mais 50kg – enquanto se apercebem que já estão bastante próximos da tal zona que estaria intransponível, por causa da neve…o que implicaria terem que voltar para trás…de repente, a ideia já não parece assim tão boa…

Tinham-se divertido tanto durante o dia que se esqueceram completamente do que iriam fazer quando chegassem a essa parte…

Com o dia a chegar ao fim, voltar tudo para trás, ia ser seguramente duro… e não parece haver grandes alternativas por alcatrão, por ali perto…mas depois de tentarem localizar-se, com a ajuda do GPS, encontram uns trilhos que parecem ir em direcção a Patras.

O Google Maps não mostra nada nessa zona e projecta-os para um regresso de aproximadamente, 5 horas…e eles já não têm 5 horas de sol…

O labirinto de trilhos que o mapa local e detalhado da Grécia lhes apresenta, levanta alguma incerteza se este é o caminho mais directo, para Patras…mas tudo indica que sim. Isto, não significando que eles não possam apanhar mais zonas de pedra desmoronada…

O sol não vai esperar por eles, por isso decidem arriscar!

Afinal de contas, é para isso mesmo que ali estão! Para viver uma aventura!

Mais uma vez a sorte estaria do lado deles, e não só iriam dar a Patras, como fariam alguns trilhos épicos pelo caminho, com várias pequenas quedas de água e um riacho a acompanhá-los, uma boa parte do caminho.

Regressam à civilização, com um lindo pôr-do-sol, a cair sobre a bonita baía de Patras.

O primeiro dia não podia ter corrido melhor! Mal podem esperar pelo segundo!!!

 

ACT GRÉCIA – DIA 2

 

O segundo dia começa solarengo, mas no dia anterior, mesmo antes de chegarem ao hotel, o Rad Raven havia-se apercebido que algo não estava bem com a embraiagem dele…

Após o pequeno-almoço, tentam afinar o cabo de embraiagem e depois de um rápido teste, tudo parece estar resolvido.

Pouco mais de 20km depois, enfrentam a primeira subida, e torna-se claro que a embraiagem continua a patinar pelo que não têm outro remédio se não voltar a Patras.

Com o resto do trajecto, a levá-los para zonas cada vez mais remotas, não podiam arriscar prosseguir, sem este problema resolvido.

Não seria difícil encontrarem um agente Honda em Patras. Foram super simpáticos e diligentes, mas mesmo assim eles teriam que aguardar pelo dia seguinte, para que as peças chegassem.

Aproveitam para ter um dia relaxante, com direito a um peixinho fresco, de pesca local.

Resta-lhes descansar e esperar que tudo se resolva, no dia seguinte.

O novo dia começa com a ansiedade de saber, se o problema na moto do Rad Raven havia sido resolvido…e os seus novos amigos gregos, não o deixariam ficar mal: quando chegam ao agente Honda, à hora combinada, a moto já se encontrava no exterior, pronta para seguir viagem!

Nunca vamos saber ao certo o que se passou…mas embraiagens com judder spring, já não confio mais…

Eu pensava que poderia ter sido utilização abusiva, durante a travessia do “jardim de pedras”…que eu tivesse dado cabo da embraiagem, mas o mecânico frisava que a avaria se tinha dado, devido a sobreaquecimento e não por uma questão de desgaste de fricção, o que retira as culpas de cima de mim.

Pode ter sido o tipo de óleo que a moto tinha…por outro lado eu comprei esta mota em segunda mão e sabe-se lá o que é que ela passou, antes de ter chegado às minhas mãos.”

 

O importante, é que já tem moto para seguir viagem e não perdem mais um segundo, para retomar o track do segundo dia do ACT!!! Quer dizer…

Lembram-se daquele engano que lhes tinha proporcionado um primeiro dia de off road, fora de série? Pois é…agora só têm metade do segundo dia para fazer. O que vem mesmo a calhar, pois não estão propriamente a arrancar muito cedo.

Lá voltam eles a travessar a carismática ponte que liga Rio e Antirrio, para retomar a estrada costeira, desta vez na margem norte do Golfo Corinto.

Desfrutam de uma hora de alcatrão, a rolar junto ao mar, passando por algumas vilas litorais, bem pitorescas, para depois iniciarem o trajecto off road.

Aí, são logo presenteados com uma subida serpenteante, que os coloca a 900 metros de altitude, em menos de 20 minutos!!!

Espectacular! Com vistas de cortar a respiração, a enquadrar os inúmeros ganchos de 180º que os levaram até ao topo.

A vista lá de cima, é simplesmente… Majestosa! Oferecendo-lhes o Golfo Corinto, até perder de vista, tanto para Este, como para Oeste.

As próximas horas seriam passadas num trilho de dificuldade média/baixa, bastante divertido e variado, atravessando as montanhas que os separavam da barragem de Mornos, até finalmente fazerem paragem para uma refeição na vila de Lidoriki.

A comunicação com os locais não é nada fácil. Basicamente, eles não entendem uma palavra do que Rad Raven e James dizem e vice-versa.

Não fosse a boa vontade de alguém que sabia falar inglês, e teriam tido a vida bastante mais complicada. Assim, acabariam por comer um belo repasto de almôndegas, pedaços de galinha, tomate e umas batatas excepcionais.

O resto do dia seria preenchido com 65km de estradas retorcidas, sempre a subir, até chegarem a Ano Chora, onde pernoitariam, até ao dia seguinte.

 

ACT GRÉCIA – DIA 3

 

Ano Chora é uma pitoresca vila, no meio das montanhas.

Ao amanhecer, as suas paisagens são simplesmente sublimes, juntamente com o silêncio apenas quebrado pelo chilrear de pequenos pássaros, que transmitem uma paz de espírito total.

No hotel, que pensam ser o único da vila, encontram mais 4 motociclistas que tal como eles, também estavam a fazer o ACT. Os 2 ingleses de BMW GS 1200 e 1250 arrancavam bem cedo, para cumprir o trajecto classificado de “Hard”, que tinham pela frente. Comentavam que se sentem reconfortados em saber que virá alguém atrás, no caso de terem algum problema, com as suas pesadas motas.

Os outros 2 eram alemães, ambos com KTM 690, também contentes por não estarem sozinhos, mas muito menos preocupados com os ligeiros 150kg das suas motas.

Pequeno-almoço tomado, partem subindo ainda mais a montanha, por alcatrão, até finalmente entrarem no primeiro troço de terra batida.

Começa assim, um longo dia, deslizando a passo ameno, por entre uma floresta de montanha, bem densa, com piso que varia de terra lisinha, a muito rochosa…tanto com pedra solta, como firme.

Dá para se aperceberem que tinham umas vistas fora de série, que apenas vislumbram através dos estreitos rasgos de luz que atravessam as inúmeras árvores, erguidas pelos penhascos a cima.

Depois de uns largos quilómetros, lá encontram uma zona mais desafogada, para fazer um desejado intervalo e tirar as fotografias da praxe.

Mais tarde, encontram os seus amigos alemães, com quem haviam estado uns momentos à conversa, mesmo antes de chegarem à tal zona Hard.

Curiosos para ver o que os espera eles avançam.

Primeiro deparam-se com uma zona de poças de lama, algo profundas, mas fáceis de transpor. De seguida o caminho começa a tornar-se cada vez mais rochoso, até chegarem a uma secção de mesmo muita pedra, com talvez 200 metros.

Está na altura do Mr. James Carter fazer jus à sua reputação…e assim o faz! De F700 completamente de origem e com pneus de estrada, o Mr. Unstoppable ultrapassa a zona hard, com pneus pouco adequados, e provavelmente com muito menos dificuldade que muito boa gente o faria, com os pneus certos.

Agora falta o Rad Raven…

O progresso inicial é feito bastante à vontade, graças a bons pneus, às suspensões mágicas da MXT e a aptidão natural que a CRF 250 Rally tem para o fora de estrada. Uma pedra, um pouco maior, acaba por “empurrá-lo” para uma trajectória inesperada que o faz deixar a moto ir abaixo…mas só precisa de carregar no maravilhoso botão mágico e o resto da “pedreira” é ultrapassada, sem grandes dificuldades.

Felizes e contentes, prosseguem caminho, passando por bonitos estradões de montanha e algum alcatrão, até voltarem a iniciar uma subida claramente apontada ao topo de outra montanha.

O caminho sempre muito divertido e desafiante – começa a ter alguns apontamentos de branco que anunciam o próximo grande obstáculo…

Chegam então a um ponto onde um manto branco de neve – que embora esteja a bloquear a estrada – já tem um carreirinho esborratado de terra escura e pedras, que confirma que outras motos já passaram por ali.

Destemido, Rad Raven decide avançar, apenas para ter um encontro imediato, com as leis de falta de tracção, na neve…

Com a ajuda do James, lá consegue meter os ligeiros 150kg da Rally na outra margem. Agora falta passar a mais pesadita F700…a tal com pneus de estrada…

Por sorte, os amigos alemães chegam, o que torna a sua tarefa, muito mais fácil.

Para retribuir o favor, ajudam-nos também na travessia das suas KTM 690.

Mais tarde descobririam que as várias pedras que davam consistência ao tal carreirinho haviam sido colocadas pelos seus amigos ingleses, que aparentemente demoraram mais de hora e meia para passar as suas duas GS… Mas a aventura não pararia por aí…ainda teriam que fazer alguns desvios por campo aberto, para evitar mais partes interrompidas pela neve…mas tudo correu bem.

No início da descida, são confrontados com bastante lama e mais uma vez o James desafia o impossível e desliza com a aparente facilidade habitual, por lugares onde o Rad Raven com os seus Motoz Desert, nem sempre se sente à vontade… enfim…como eles diz “daquelas coisas…uns têm…outros não!”.

Depois da tempestade, vem a bonança!

Após um curto troço de alcatrão, viram para um trilho coberto de folhas verdes e densas, que os faz sentir, como se estivessem numa floresta mágica! A luminosidade é surrealmente verde, o que os alimenta na imaginação e deixa de beiço pendurado, perante tamanha beleza!

Para completar o decór, pequenos apontamentos de neve e várias cascatas de água, do degelo das neves, tornam o cenário, em algo digno de um Senhor dos Anéis!!!

Não há fotografias nem filmagens que façam justiça a este local…simplesmente mágico!!!

O dia não terminaria sem mais uma subida a outra parte da cordilheira, onde seriam brindados com vistas desafogadas e lindíssimas, para depois iniciarem a descida rumo a Karpenisi, cidade que marca o final do terceiro dia do ACT.

 

ACT GRÉCIA – DIA 4

 

O amanhecer em Karpenisi, embora mais urbano, não deixa de nos fazer sentir que estamos no interior da Grécia.

O início da manhã é preenchido com uma bela estrada de montanha, com alguns ganchos de 180 graus, absolutamente deliciosos!

De seguida, atravessam uma característica ponte de ferro, para depois fazer um desvio em off road, até à emblemática ponte de Viviani.

As águas do rio Megdovas, ganham nesta zona um tom azul-turquesa, provavelmente por causa do fundo claro, criado pelo mar de seixos brancos e redondos e que preenchem os leitos e margens, deste rio.

Com o ruído constante das águas correntes, o vento a abanar as folhas das árvores e o chilrear dos passarinhos, o ambiente é de serenidade total, e convida a permanecer, observar e desfrutar…Acabam por ficar mais tempo que o esperado, tirando fotos, voando o drone e deliciando-se com um cenário, muito perto do idílico.

Este lugar está assinalado no roteiro do ACT: para aqueles que desejam acampar, se for essa a vossa onda, não devem encontrar um lugar melhor!

De seguida, o track leva-os de volta a um trilho de montanha que acaba por se revelar um dos mais divertidos deste roteiro.

O caminho recorta as escarpas da montanha, cercado por penhascos sem fundo, com vegetação abundante, projectando vistas sobre um lago enorme, mas longínquo, assim como alguns picos com neve – um apanágio constante desta viagem.

É de salientar que não é normal haver tanta neve, por estas bandas, a meio de Maio…um nevão tardio que assolou o leste da Europa, presenteia-los com estes visuais, mais típicos de uma Suíça, do que propriamente de uma Grécia.

O ritmo que adoptam, talvez seja dos mais animados até agora na viagem, dado o alto grau de divertimento que este troço proporciona.

E como se o tempo tivesse passado, de repente, dão por eles do outro lado da montanha, onde uma considerável manada de vacas, vagueia sem supervisão, o que acaba por lhes proporcionar mais uma experiencia única…“brincar aos cowboys”. Montados nas suas motos, as vacas correm à sua frente durante um bom bocado, até que o caminho lhes abre finalmente a oportunidade para abalarem da sua frente.

Seguem caminho, rodeados por uma beleza fora do comum.

Mais uns quilómetros e chegam a um pequeno restaurante, à beira estrada plantado, refrescado por uma série de pequenas cascatas que proporcionam o ambiente ideal, para fazer uma pausa, comer uma bela salada grega e as provar as incontornáveis costeletas de borrego.

Imponentes escarpas coloridas, emolduradas por nuvens e montanhas… Estivesse o tempo mais solarengo, e poderiam pensar que haviam chegado ao paraíso dos trilhos de montanha! A chegada ao grande lago de Plastira anunciava o final de mais um dia inesquecível, nesta viagem.

 

 

ACT GRÉCIA – DIA 5

 

Começam a sentir o cansaço e os despertares são cada vez mais lentos e preguiçosos…

Têm o último dia de ACT pela frente! 250km! Mas 70% dos quais por asfalto…o que por um lado, sendo mais leve, certamente não será tão divertido…mas a expectativa de chegar ao fim e passarem à segunda fase da viagem, dá-lhes alento mais que suficiente, para escapar à gravidade daquele colchão maldito, vencer a inércia e fazerem-se à estrada.

Começam o dia logo com uma boa acção! O James avista uma tartaruga a tentar atravessar a estrada…e depois de um carro quase lhe passar por cima, o James pega nela e coloca-la a salvo, de volta à natureza e longe do asfalto.

Pouco depois, chegam a um troço de terra bem divertido por sinal!

As vistas continuam brilhantes e a neve a acompanhá-los nesta aventura…um bocadinho menos, não faria mal a ninguém…

A “escalada” à montanha acentua-se, assim como a quantidade de água que por ela escorre, tornando o caminho cada vez mais desafiante; mais uma oportunidade para o nosso amigo “Unstoppable” brilhar, com as suas proezas em pneus estradistas. Depois de chegarem lá cima, refere ainda que não achou que tivesse sido tão difícil assim…o mesmo não se pode dizer do próximo obstáculo que os espera…

Dois motociclistas que haviam passado por eles, numa das suas paragens fotográficas, já os tinham avisado que muito provavelmente iriam apanhar neve, podendo mesmo o caminho estar intransitável.

Pois mais à frente, esses mesmos colegas de ofício, estavam em apuros para passar uma dessas partes obstruídas pela neve.

Ainda foram dar uma mãozinha, aproveitando para avaliar a gravidade da situação.

Era fazível, mas o único caminho possível fica em cima de neve congelada…ou seja, não era recente, estava super escorregadia…e ficava numa parte bastante inclinada…

Como eram 4, pois os seus amigos alemães estavam com eles, tinham fitas e estavam com a ganga toda, decidem avançar com a moto do James…se a moto mais pesada passasse, com as outras não haveria de haver problema!

E tudo corre bem.

Já com as 4 motos do outro lado, surgem os seus amigos britânicos, e as suas “pequenas” GS, a queixarem-se da lama…

Depois de reflectirem sobre a situação, e sem saberem o que ainda lhes restava pela frente, todos acham que seria demasiado arriscado, tentar passar motos com mais de 250kg, por um carreirinho estreito, cheio de lama e neve, à beira de uma ribanceira bastante inclinada e coberta de gelo…

Lá tiveram que ficar para trás, os seus amigos britânicos.

Continuam, a rezar para que não tenham outra situação idêntica, ao virar da esquina…e graças aos Deuses das montanhas Gregas, apesar de muita neve pelo caminho, conseguem ir até ao fim.

Nos últimos quilómetros usufruem de excelentes estradas de alcatrão, ziguezagueado, subindo e descendo várias formações montanhosas, onde o Rad Raven, mesmo com a sua modesta 250, segue a curvar, sempre com um sorriso de orelha a orelha, até chegar ao desfiladeiro de Vikos.

Os últimos metros do ACT são percorridos a pé, por um caminho empedrado que os leva até uma “varanda” sobre um desfiladeiro de uma beleza natural, extrema!

É empolgante observar o revelar daquelas faces de pedra monumentais, sal pintalgadas por vegetação, terminando num abismo profundo, com um rio que ao longo de milhões de anos, esculpiu esta obra-prima da natureza.

O ACT Grécia termina sem dúvida de modo apoteótico, proporcionando fotos dignas de publicar em qualquer perfil e rebentar com a escala de likes, em qualquer rede social!

Agora é arranjar um lugar para dormir e prepararem-se para a Albânia!

Com o ACT Grécia concluído, seguem viagem, Albânia a dentro.

Depois de um despertar dolorosamente condigno, à custa do jantar da noite anterior, lá saem rumo à fronteira…

Os guardas fronteiriços parecem alarmados com a chegada da moto de Rad Raven e num tom, de certo modo agressivo, mandam-lhe sair da moto, perguntando repetidamente se a moto era sua e onde estavam os documentos.

Fazendo o possível para não se deixar enervar, desmonta calmamente da moto, assegurando-lhes que ele é o proprietário e que apenas precisa de uns segundos para retirar os documentos da sua bolsa.

Supõe que por causa do aspecto da sua CRF 250 Rally, e da decoração personalizada, aliado ao facto de estarem em cima do início do Helas Rally, os polícias suspeitem que a moto seja roubada…coisa que parece ser comum, em alguns Rallys.

A moto, ainda por cima está em nome de uma firma o que os deixa ainda mais desconfiados…mas com calma, Rad Raven explica-lhes que é o proprietário da empresa e mostra-lhes onde está o seu nome no documento que o autoriza a conduzir esta moto durante a viagem; confirmado e oficializado com uma apostilha de lacre, pelo governo português.

Com esta confusão toda, esquecem-se de verificar os documentos das restantes motos…e mandam-nos para terra de ninguém…

Já na fronteira da Albânia, são apanhados completamente desprevenidos, quando um guarda lhes chama a atenção que o documento de seguro, da moto do James, tinha sido rasurado e afinal, não pertencia àquela mota…ou seja, tecnicamente, o James está a viajar com documentos falsificados!

Segue-se uma hora e meia de incertezas…mas os guardas da fronteira albanesa, foram extremamente compreensivos, ao perceber que não tinham sido eles a falsificar os documentos, mas sim a empresa que tinha feito o aluguer.

Deixam-nos seguir viagem, na condição de irem fazer um seguro, na cidade mais próxima, para poderem circular legalmente.

O seguro custou apenas €15 e tinha a duração de 15 dias, o que tendo em conta as condições em que se encontravam, não era nada caro.

O problema ficaria parcialmente resolvido, mas enquanto a empresa de aluguer, não enviasse o documento de seguro, pertencente à mota em questão, o James não poderia sair da Albânia.

Agora resta-lhes aproveitar o que falta do dia, pois os trilhos da Albânia esperam por eles!

É incrível como a escassos quilómetros, as características dos trilhos se alteram tão drasticamente. Isto faz-lhes pensar que alguns destes caminhos reflectem milhares de anos de história!

Mas até faz doer o coração, quando começam a pisar estradas romanas, surpreendentemente ainda em bom estado, numas partes, mas completamente degradas e negligenciadas, noutras.

O nível de condução também é mais exigente! Mas um exigente super divertido que os obriga a manterem-se constantemente em alerta, para lidarem com os vários obstáculos com que se deparam.

A dada altura, chegam ao Desfiladeiro de Osum. Um lugar de muita beleza natural! Como se tratasse de uma espécie de mini Grand Canyon, que os iria acompanhar durante o resto da tarde.

É verdadeiramente mágico fazer todo o terreno ao lado de tão maravilhoso monumento natural. Chegam ao final do trilho bem cansados, mas ainda têm que fazer mais uma hora e meia de alcatrão, até encontrarem onde pernoitar, na cidade de Berat.

O dia anterior tinha sido puxado e o esqueleto reflecte o cansaço.

Nada que um farto e rico pequeno-almoço albanês, não acabe por mitigar.

Não tardou para partirem em direcção ao início do track que tinham planeado. Ainda têm que fazer uns quantos quilómetros…e como se não andassem de barriga

cheia de off road, decidem ir em busca de um caminho por terra, para lá chegar…pouco tempo depois, dão conta que andam meio perdidos e com apenas um dos GPS a registar o trilho onde se haviam metido.

Prosseguem montanha acima, por uma subida algo técnica até que o caminho vai estreitando, ao ponto de começarem a duvidar se tem continuação.

Há uma primeira vez para tudo…e esta, é a primeira vez que Rad Raven vê o “Mr. Unstopabble” a dizer que não quer continuar por ali…

Não sabe se por experiência ou apenas “gut feeling”, mas ver o James a tomar uma decisão daquelas, deixa Rad Raven algo preocupado.

Entretanto, Herbert, um dos alemães que está com eles de KTM 690, insiste que o caminho é por ali e que já não deveriam estar longe…para apimentar ainda mais a coisa, parece que vem lá chuva…da grossa…

Mas não há maneira de demover o Hebert, que decide ir espreitar o caminho sozinho, para depois lhes vir dizer como estava.

Herbert arranca e poucos minutos depois, a chuva que parecia ainda lá longe, começa a cair, em forma de gotas bem gordas, em cima deles…

O James não demora muito a somar 2+2, e diz que têm que se pôr a andar dali para fora, imediatamente!!!

Ainda houve alguma hesitação…mas nada que uns berros imperativos, numa de ou arrancam, ou deixo-vos aqui sozinhos, lá fez com que se pusessem os 3 em marcha, ribanceira abaixo!

A chuva já é abundante, e faz-se acompanhar de bolas de granizo, tipo ervilha gorda, que mesmo através dos seus equipamentos, se faz sentir.

A rampa, por onde tinham subido, estava agora bem escorregadia, e iria ficar cada vez pior!

São momentos de ansiedade intensa, onde Rad Raven chega a ter as 2 rodas bloqueadas, sem conseguir fazer a moto parar! Ainda está para saber, como é que nenhum de deles, não foi parar ao chão.

Entretanto, o seu amigo Herbert tinha ficado, lá para trás do sol-posto e não sabem como, nem porquê, mas tinham um pressentimento que ele está em apuros!

Depois de encontrarem um lugar para parar as motos, deixam o Marc (o outro alemão), a tomar conta delas e o Rad Raven e o James voltam atrás a pé, para ir ver o que se passava com o seu amigo mais teimoso…

Mas depois do stress todo, subir aquela rampa, sem o motor a puxar, é que está difícil… Rad Raven acaba por ter que fazer uma pausa, para descansar o seu físico “exagerado” J…enquanto que James, uma década mais novo, segue à frente, em busca do Herbert. Pouco depois de retomar a marcha, as botas de MX de Rad Raven, embora com sola de enduro, derrapam, na lama e água que escorre rocha abaixo, e catrapumba…lá está ele no meio do chão. A coisa não está fácil, mas não pode desistir…por isso, lá vai subindo, como pode.

Entretanto, o James encontra o Herbert que havia caído num buraco com a 690 e não consegue tirá-la de lá sozinho.

Por fim, já com os três juntos, inicia-se a aventura de trazer a 690, com o alemão em cima, até lá abaixo…mas o melhor mesmo é ver este episódio, pois não há palavras para descrever o que se segue…

Voltam para o alcatrão derrotados e pouco depois, estão regelados…a sorte é que o sol vai abrindo, mas não havendo mais forças para retomar o trilho, optam por uma rota simples (leia-se por alcatrão), até Skoder, onde iriam pernoitar.

Depois da molha do dia anterior, acordam um pouco sépticos…mas o sol lá começa a espreitar por entre as nuvens, anunciando um dia de off road inesquecível.

Na realidade, nem sabem ao certo para onde iriam…

Os seus amigos alemães tinham um track que um amigo deles lhes tinha dado, e classificado como imperdível!

A região chama-se Theth…e pouco mais sabem…

Depois de atravessarem a cidade de Skoder, começam a ver as montanhas lá ao fundo e pouco depois, um pequeno rio que começa a acompanhá-los no percurso…a partir daí, passam o resto do dia boquiabertos…

Mesmo com mau tempo, as vistas e as inúmeras cascatas, deliciam-lhes os olhos e enchem-lhes as almas!

Os trilhos são super divertidos e grande parte do caminho, com um curso de água azul-turquesa, ao seu lado! Muita pedra, alguma lama, sempre desafiante, mas tudo viável e muito divertido! Isto numa perspectiva de trail riding.

Tudo correria bem e sem incidentes a assinalar. A chuva persiste em fazer-lhes companhia, mas não numa abundância suficiente, para lhes arruinar os planos.

É incrível ver que há pessoas a viverem ali no meio das montanhas e que os seus filhos não deixam de ir à escola.

Passam por algumas carrinhas com miúdos lá dentro, o que os faz questionar, como é que chegam até ali, naqueles machibombos…?! Mas também não podem deixar de reparar nas inúmeras cruzes que vão avistando pelo caminho…com destaque para uma lápide de rocha negra, polida, com o nome de 2 adultos e mais de uma dezena de crianças, cujas idades não ultrapassam os 15 anos…

Vidas duras, sem dúvida…mas provavelmente nem têm a noção, da beleza natural, do lugar em que vivem.

Theth é dos lugares mais bonitos, onde já estiveram! E dos lugares onde mais gostaram de fazer off road! Não conseguem parar de pensar que querem lá voltar e ficar mais tempo, para explorar.

 

 

MONTENEGRO
BÓSNIA
CROÁCIA

 

Nem tudo sempre corre, como planeamos…

Para o resto da sua viagem, haviam planeado fazer uma boa parte do TET, em combinação com outras rotas e passagens que tinham pesquisado…mas o James já está exausto de fazer off road com aquela mota, e a verdade é que têm puxado a corda mais que o suficiente, sem ainda ter danificado a pobre BMW…no TET irão certamente encontrar situações mais complicadas e acham por bem, ajustar o plano à realidade porque a mota dele, nem sequer tem pneus de todo o terreno…

No entanto, não iam desperdiçar o resto da viagem.

No plano original, haviam incluído algumas passagens de alcatrão que lhes pareciam bastante interessantes, por isso, é uma questão de traçar uma nova rota que os leve até esses mesmos lugares, por estradas secundárias, de preferência com vistas espectaculares…e na realidade, não podiam estar em melhor zona, para fazer isso mesmo!

A viajar por estrada, poderiam percorrer mais quilómetros por dia, e o James começa a falar em irem a uma base aérea que ele tinha ouvido falar, localizada na fronteira da Bósnia com a Croácia. Isso implicaria viajarem pelo interior de Montenegro e entrar na Croácia muito mais a norte do que haviam planeado, e depois descer até Split, onde finalmente apanhariam o Ferry, de volta a Itália.

Como não estava planeado passarem nessa zona, não têm muita informação, mas hoje em dia, com o acesso à net generalizado, basta um portátil, ou um smart phone, para se planear uma nova rota sem grandes dificuldades.

Aproveitam a oportunidade e passam pela icónica Kotor Serpentine, onde para além dos estonteantes ganchos, são presenteados com umas vistas maravilhosas!!!

Seguem em direcção ao interior, e embora a chuva os voltasse a atormentar, não ficam indiferentes à beleza da estrada que fazem, ladeada por um desfiladeiro profundo, com água azul-turquesa e rematada por verde intenso, da abundante vegetação que cresce nas escarpas.

Pernoitariam num hotel de 5 estrelas em Kolasin, pois foi o único sitio onde se sentiram seguros para deixar as motas, durante a noite…mas diga-se de passagem que as 5 estrelas ali, apenas custam €45 a cada um…só o pequeno-almoço, quase que valia isso.

Na manhã seguinte, deixam Kolasin para trás rumando a norte, em direcção à fronteira da Bósnia.

 

Cruzam uma montanha lindíssima! Mas a neve, uma vez mais, volta a bloqueá-los no caminho…desta feita, têm a sorte de ter a ajuda de um limpa-neves – que mesmo assim, leva 2 horas para lhes desimpedir a estrada…

Pouco depois, desfrutariam de um momento inesquecível ao andarem de moto entre paredes de neve com quase 2 metros de altura!

Montenegro é um país lindíssimo!

Há mesmo quem diga que é o mais bonito do mundo…se isso é verdade, ou não, já não sabemos…mas que a sua beleza natural é arrebatadora, disso…não há dúvidas!

Depois de uma secção de túneis intermináveis, rasgados por flashes azuis e verdes, em harmonia perfeita, de vales retirados das mais belas pinturas, chegam então à fronteira da Bósnia.

Não iria ser fácil suplantar o que já haviam visto…mesmo assim, ainda fazem uma estrada com um longo riacho serpenteante, que os acompanha durante umas dezenas de quilómetros, o que com o reflexo do sol de fim de tarde, acabou por ser bastante especial.

Pernoitam na cidade de Berat; com o atraso do limpa-neves e as inúmeras paragens fotográficas, chegariam já ao anoitecer, pelo que pouco puderam explorar.

O jantar seria farto e surpreendentemente barato. Não sabem se foi pura sorte, mas ficam muito bem impressionados com a gastronomia da Bósnia!

No dia seguinte, têm apenas um objectivo: chegar o mais perto possível da fronteira Croácia, para visitarem a tal base aérea que o James tanto quer conhecer, por isso seria um dia sempre a rolar, para “paparem” quilómetros com fartura.

Ao final do dia, ficariam instalados num hotel, na simpática cidade de Bihac, mesmo em cima do bonito rio Una que tem umas pequenas quedas de água que criam um ambiente mais que perfeito para um final de dia relaxante.

Bem dormidos e repousados, acordam cedinho, com o James todo entusiasmado com a ida até à tal base aérea…

Lugar bastante icónico, a Base de Zeljava, é uma paragem obrigatória e muito popular entre os motociclistas. Como prova disso, são os inúmeros autocolantes que decoram o avião antigo, que assinala a sua entrada.

Continuam por uma estradinha que quase os faz imaginar que estão numa selva tropical, devido à abundante vegetação que quer engolir o alcatrão… Pouco depois de passarem por um aviso de minas no mato, chegam a uma encruzilhada de estradas que dão acesso às pistas de descolagem, e aos túneis que outrora albergaram a respectiva frota aérea.

Perfeitamente camuflados entre a vegetação, os ditos túneis, perfuram a base de uma montanha, cumprindo em pleno, o seu propósito durante a guerra que assolou esta parte do mundo, durante anos.

É impossível não ficar curioso com o que pode existir lá dentro, ou até onde irão dar…

Um outro atractivo, são as pistas de aterragem! Mas uma 250, mesmo vocacionada para off road, está longe de ser a moto ideal, para tirar partido delas.

Passam uma horinha bem passada e tiram umas fotos porreiras.

 

Umas horas depois, chegam à lindíssima costa do Mar Adriático! Muita moto se vê por ali! Muitas senhoras a andar de mota também!

Fazem ainda uns bons quilómetros, junto ao litoral, para repartir a distância que teriam que fazer no dia seguinte, para apanhar o barco, de volta a Itália, no porto de Split.

Seriam completamente traídos pela previsão meteorológica na manhã seguinte,…

Já estão fartinhos de chuva até aos cabelos!! Literalmente!

Ainda decidem explorar um trilho, mas quando estão quase no topo da montanha que os levaria a outro trilho, montanha abaixo, na direcção de Split, avistam uma tempestade daquelas, que vem na sua direcção…

Dão meia volta e regressam pelo mesmo caminho! Quase a chegar ao alcatrão, começam a levar com chuva abundante…certos que lá em cima, na montanha, teria sido muitíssimo pior!

Seguem caminho, direcção a Split, sempre junto à costa, sem que a chuva lhes dê tréguas…mas determinados em aproveitar ao máximo as poucas horas que lhes restam mantêm-se nas estradas secundárias, até Split!

Umas horas depois, o céu começa a desanuviar e são abençoados com uns rasgos de sol que lhes animam o espírito e aquecem o corpo.

A dada altura, avistam uma ilha que tem ligação por uma ponte e espontaneamente, decidem ir explorar…quando dão por ela, estão num caminho de terra batida que circunda a ilha, junto ao mar.

Que bem que lhes sabe fazer aquele bocadinho de off road, à beira mar plantado! Foi sem dúvida, uma recompensa, uma reviravolta vitoriosa (dado o início de dia que haviam tido) e a cereja no topo do bolo, de uma viagem que nunca irão esquecer!

A vida é feita de experiencias, e não há uma experiencia mais enriquecedora do que sair da nossa zona de conforto, para explorar o mundo!

Resta-lhes agora saborear as memórias, até que os astros se realinhem e a oportunidade para próxima viagem, se manifeste…

 

Até lá, podem X-Perenciar esta épica viagem, quase na primeira pessoa! assistindo à série THE BALKAN’S VENTURE composta por 11 incríveis episódios!!

Créditos de texto, fotos e vídeo: Rad Raven

Web: www.radraven.com